The Medium não deveria ser exclusivo next gen

The Medium saiu no último dia 28 e está disponível no Xbox Game Pass (e no XGP Ultimate, para PC) e desde então eu venho jogando diariamente, um par de horinhas, e gostando do quanto a história vem me prendendo. O jogo realmente tem um charme que, aliado à história, me fez querer ser persistente e continuar a jogá-lo mesmo meu PC tendo quedas de frame rate, chegando a 12 quadros por segundo (qps) e alguns poucos momentos.

Aí você pergunta: “qual o seu PC gamer?”. Bom, meu PC, como vocês podem ver aqui, não é nenhuma Ferrari, mas já teve seus tempos dourados. A questão aqui não é meu PC, ele segura 90% dos jogos com performance satisfatória, mas sim o grau de otimização que o The Medium recebeu da Bloober Team para o seu lançamento, uma vez que o jogo fez até uma GeForce RTX 3080 tremer na base rodando em 1080p a 60 qps fixos com o ray tracing desligado.

“Bom, Nimdog, porque você não baixou a resolução e o nível de detalhes gráficos então?” Cara, eu até baixei, mas o jogo incrivelmente rodava pior em menor resolução e detalhes em níveis mais baixos.

Minha impressão, baseado em puro achismo, é que o jogo não está otimizado ainda para rodar em qualquer máquina ou nos consoles da antiga geração (Xbox One e Playstation 4) puramente porque o estúdio não teve tempo para tal. Provavelmente a Microsoft veio com a proposta para eles lançarem o game para a próxima geração como exclusivo (provavelmente temporário) antecipadamente, o que fez o Bloober Team priorizar seus esforços para as novas plataformas Xbox.

Assim, todo o tempo disponível que ainda tinha, a desenvolvedora provavelmente utilizou para terminar o game no prazo para o lançamento exclusivo. O jogo está pronto? Está sim, pronto, pelo menos uns 90% pois ainda falta aparar algumas arestas e otimizar a sua performance, inclusive no Xbox Series X. Mas é um jogo perfeitamente estável e possui uma história, até aqui, muito interessante.

“Bom, então porque você vem afirmar que não deveria ser exclusivo next gen?” Afirmo isso pois o jogo não apresenta gráficos de tirar o chapéu, mesmo sendo muito agradáveis, nem cenários ricos em detalhes e objetos “soltos” ou interativos que demandem processamento de física mais apurada individualmente, pelo contrário, o jogo tem muitos objetos estáticos nos seus cenários. A movimentação se restringe, geralmente, à personagem principal, um panapaná (várias borboletas que te atacam) e o monstro que te persegue. Todo o resto é fixado no cenário ou são itens estáticos que você coleta e outros que você arrasta (contêineres de lixo).

Claro, são dois universos rodando em paralelo, mas como eu acredito, nada que um tempo extra de polimento no jogo não permitisse que ele apresentasse melhor performance na nova geração (Xbox Series X e Xbox Series S), ou ainda na GeForce RTX 3080. Eu ainda iria um pouco além em afirmar que acredito que o jogo também iria correr muito bem no Xbox One X.

Não me entenda mal. Parece que eu estou falando que o jogo está injogável com a performance atual no Xbox Series X enquanto eu mesmo jogo a 12 qps no meu PC velho. Não é isso. Estou falando que o jogo realmente e provavelmente vai rodar melhor com os patchs futuros. Minha crítica maior é a o fato do The Medium ter sido lançado exclusivo para a nova geração, enquanto a grande maioria de gamers Xbox possui o Xbox One até o momento. E qual o motivo da Microsoft ter optado pela exclusividade? Qual a real razão de terem escolhido um jogo que não dá a impressão de ser um true next gen?

Faltou coerência da Microsoft e do sr. Phil Spencer nessa decisão. Ou ainda, transparência. Ainda mais quando foi afirmado pelos mesmos que o Xbox One teria suporte e que não seriam lançados exclusivos somente para a nova geração durante alguns anos. Além disso, mesmo sendo verdadeiramente um bom jogo, The Medium não pode ser considerado um system seller, nem a produção de consoles está normalizada, o que reforça a nossa dúvida sobre qual o real interesse nessa exclusividade.

Bom, o fato do jogo provavelmente ser exclusivo temporário ainda nos dá um pouco de esperança de que seja lançado para o Xbox One também, bem como para o Playstation 4. Se for o caso, sua adição ao catálogo do Xbox Game Pass pode ser interpretada como um agrado muito bem vindo aos assinantes do serviço (que saíram na frente e já adquiriram seus consoles next gen desde o início da nova geração).

É, vamos aguardar.

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