The Medium: análise sincera

É isso aí, fechei o jogo hoje, depois de 9 horas de tensão e alguns sustos, então resolvi passar minhas impressões a vocês. Tenham em mente as limitações com as quais tive que me deparar para poder jogar The Medium, como falado aqui, meu PC não é overpower e o jogo não está otimizado, então a performance dele foi passável ao ponto de eu conseguir finalizá-lo sem travamentos ou quebras, mas com consideráveis quedas de quadros por segundo durante muitas partes do game.

Ah, não vou dar detalhes da história, detesto reviews que te contam tudo sobre a história ou que trazem milhões de teorias filosóficas que viajam mais do que te deixam viajar na história do game. Vou me ater aos detalhes que me chamaram a atenção mesmo. Dito isso, vamos lá.

The Medium é um jogo bem legal, de um modo geral, que realmente vale a pena experimentar caso você seja assinante do Xbox Game Pass. Caso seja assinante, veja bem, se o seu PC é mais antigo como o meu, provavelmente terá problemas na performance do game. Também não chegue ao game sedento pelo poder de processamento da nova geração ou com expectativa de gráficos surreais pois essa não é a proposta do Blooper Team.

The Medium, no primeiro contato, realmente lembra os games de terror clássicos do primeiro Playstation, tais como Resident Evil, Silent Hill e Alone in the Dark: possui câmera fixa, atmosfera sombria e a personagem andando calma e tranquilamente como se a morte não a estivesse esperando logo ali, na próxima mudança de câmera. Isso mesmo, o jogo é tenso. Mas é uma tensão boa, não é daqueles games que você chega a pular da cadeira ou fica com medo de continuar.

Acredito que a atmosfera criada pelo Bloober Team realmente seja o melhor do game: ela te puxa pra dentro do jogo de uma maneira um pouco escassa hoje em dia. Não me entenda mal, temos muitos bons lançamentos que te prendem a atenção, mas The Medium faz isso de uma forma diferenciada e, ao mesmo tempo, nostálgica. A maneira como a história é contada tem grande parcela nisso também.

The Medium tem o roteiro de um bom filme, ou série, que te deixa curioso assim que vai revelando seus segredos durante a jornada, e vai aprofundando o seu enredo de uma maneira nem um pouco cansativa ou enrolada. É um game que te prende pela sua essência. Além disso, a trilha sonora é outro ponto a favor do jogo. São poucos games nos quais a trilha me chama a atenção.

Uma questão que pode agradar ou desagradar é o fato do game não ter em momento nenhum combates. Mas não acredito que seja um impeditivo para ninguém experimentar o game, pois eu mesmo só fui me ligar desse detalhe depois de muitas horas acompanhando a sua boa história.

“Bom, se o jogo só tem pontos positivos, por que não valeria a compra?”
Bom, veja bem, não que o game não mereça seu dinheiro, longe disso. O problema real dele é a performance em PCs que não sejam topo ou mais novos.

“Mas se o jogo é exclusivo next gen, porque deveria rodar no teu PC velho?”
Mais uma vez, como falei aqui, o jogo não me passa a impressão de um game que demande todo o poder de processamento de um Xbox Series X, na boa. Acredito que rode em consoles olg gen (Xbox One e Playstation 4) com alguns ajustes e em PCs um pouco mais velhos, mas com componentes mais parrudos, caso receba a devida atenção para ser otimizado.

Durante a minha gameplay, encontrei problemas de performance em cenários de tamanho médio e sem muitos itens ou detalhes dinâmicos. Inclusive nas partes que não havia o segundo plano (o espiritual) sendo renderizado. Mas o pior mesmo foi dropar frames, pasmem, na tela de créditos. Isso mesmo, fundo preto, letrinhas brancas subindo, música de fundo e o PC rodando a 19 qps com utilização de 99% da GPU.

Se isso não comprova a péssima otimização do game, então eu e 80% das pessoas no mundo realmente temos que colocar nossos PCs no lixo, na boa. hueheueheuhe

Brincadeiras à parte, deixando um pouco de lado a questão da otimização do jogo nos PCs, caso você consiga jogar desse jeito, o game apresentou outras questões chatinhas de performance como carregamento tardio de texturas, áudio dos passos sem sincronia com a personagem e mau funcionamento e delay nos comandos.

A questão das texturas foi vista inclusive no Xbox Series X, pelo Digital Foundry (segundo alguns, que é anti-Xbox… aff), que é o console mais poderoso da geração. Já o áudio atrasado dos passos, mesmo que ocorrendo em poucas partes do game, atrapalha bastante pois você sempre acha que tem alguém te seguindo – como se a atmosfera do game já não te deixasse numa tensão alta o suficiente.

A questão dos comandos atrasados ou falhos, em algumas partes do jogo também, irrita quando sua vida depende da sua velocidade em tomar decisões. Por exemplo, você segura o botão para criar um escudo na sua personagem e ela tem um movimento de conjuração desse escudo, tipo levantar o braço para assim aparecer a proteção. Bom, se você aperta uma vez e não segura, solta no meio do movimento, ela vai cancelar a criação do escudo e esse movimento de baixar o braço é executado até o final. Mesmo você apertando o botão novamente o escudo não é recriado até ela terminar o movimento. E segurar o botão não ajuda. Você terá que apertar o botão assim que ela tiver seu braço “liberado” pelo primeiro escudo.

Problema semelhante tive em algumas horas nas quais você tem que correr: por mais que você tenha fé na sua coordenação motora e saiba que está apertando o botão de corrida, certeza mesmo só se a personagem estiver correndo na tela. Essa falta confiabilidade na resposta dos comandos fez muito amigo meu quebrar controles de videogames já…

Enfim, são problemas que, no meu caso, foram contornáveis graças à história + atmosfera do game.

The Medium é um jogo indispensável?
No atual momento da próxima (atual) geração e sendo ele exclusivo, fica fácil de responder, já que são pouquíssimas opções de lançamentos exclusivos. Então, recomendo a quem estiver com um pouco de interesse no game a jogá-lo agora, ou logo depois do próximo patch, caso saia algum. The Medium não me parece um jogo que vá envelhecer bem para ser jogado daqui uns 2 anos para quem tem interesse em experiências full next gen ou depois que os jogos triple A chegarem para Xbox Series X e Playstation 5. Mas, para quem gosta do gênero, sempre vai ser uma boa pedida.